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Câmara Municipal de Fafe



O nosso blogue

Notas

O Museu das Migrações e das Comunidades foi fundado por deliberação do Município de Fafe em 12/07/2001.  Um Museu que pretende aprofundar o conhecimento das migrações na diáspora portuguesa.





As Artes

NÚCLEO MUSEOLÓGICO

TEATROS

teatro_fachada

Numa terra onde já havia uma Sociedade de Recreio, um Grupo Dramático, um Grupo Musical e Teatro com Animatógrafo, o edifício do Teatro completou o conjunto de elementos de cultura necessários à nova burguesia (grupo social formado, principalmente, por emigrantes do Brasil, a qual reproduziu nas suas terras de origem um estilo de vida que havia aprendido nas cidades cosmopolitas do Brasil e nas viagens ao estrangeiro.

 

A SOCIEDADE INSTRUTIVA E RECREATIVA, na qualidade de entidade gestora dos fundos para a casa da Sociedade e Teatro local, emitia obrigações, para as financiar.

Em 1 de Setembro de 1882, tinha como Presidente da Direcção João Monteiro Vieira de Castro e Directores, António Joaquim de Oliveira e Julio d'Albuquerque A. Lemos Menezes, Tesoureiro Albino de Almeida Dias Leite e Secretário Miguel Gonçalves da Cunha, conforme os dez exemplares comprados pelo Comendador Albino de Oliveira Guimarães, totalizando quarenta e cinco mil reis. (arquivo da Família).

teatro

 

SOCIEDADE INSTRUCTIVA E RECREATIVA

A sociedade financiava-se através de obrigações em cuja texto se lê: " Representa esta obrigação a quantia de quatro mil e quinhentos reis, com applicação à construção da casa da Sociedade e Theatro, na fórma estabelecida no artigo 9.º dos Estatutos da Sociedade, e o possuidor d'ella sem direito a receber o juro, que a Sociedade poder dividir, ficando sujeito à amortização por meio de sorteio, tudo em conformidade da deliberação da Assemblêa geral de 4 de Março de 1875." (arquivo da Família)

 

 

Um novo Teatro-Cinema foi inaugurado em 10 de Janeiro de 1923, o qual se destaca por ser extremamente invulgar na decoração da sua fachada, única em Portugal.

Sabe-se pouco do antigo teatro, devendo-se a construção do actual à iniciativa de José Summavielle Soares, neto do “Brasileiro” José Florêncio Soares, emigrante do Rio de Janeiro.

Este edifício possui quatro espaços importantes: o átrio de dimensões relativamente modestas; um fosso de orquestra; um salão, no primeiro andar, ladeando a rua a toda a largura do edifício, (com profundo significado para a comunidade, pois aí se realizaram reuniões de carácter social); um palco de dimensões significativas. Como elemento saliente do edifício rectangular, os camarins em estando de reunia.

A lotação, de quatrocentos e nove (409) lugares, está distribuída pela plateia, frisas, camarotes e balcão.

camarote_vertical

 

O edifício possui uma arquitectura interior em ferradura produzindo uma excelente acústica e uma visão perfeita do espaço cénico, comparável aos mais belos do Norte, nomeadamente ao Teatro - Circo de Braga.

O tecto, abobadado, está pintado com motivos pictóricos de grande valor cromático, dando ao espaço grande amplitude. Aqui, pretende-se colocar o espectador no exterior cósmico, através do desenho do firmamento e, em medalhões, vêem-se pintadas as figuras masculinas que se supõem serem de artistas célebres.

teatro tecto

Os camarotes e as frisas constroem, com o balcão suportado por oito colunas, uma ferradura e quebram a verticalidade das paredes laterais, dando equilíbrio e harmonia ao espaço interior.

A fachada, única no país, em tom rosa e com desenhos de cúpidos, simbolizando o amor às artes, propõe, ao transeunte, uma leitura cuja função é conduzir-nos ao seu interior. Dir-se-ia que a fachada é já a primeira encenação da espiritualidade artística aí vivida, definindo-se, ai mesmo, a atitude do espectador.

 

O Cine-Teatro possuía, inicialmente, no exterior, um terraço e jardim. Este espaço teve, no seu tempo, importância assinalável como ponto de referencia cultural. Aí se reuniam os fafenses para significativos momentos de cultura e recreio, funcionando como símbolo da burguesia local.

Esta obra marca o fim das iniciativas de capital de «brasileiros» de Fafe e dos seus descendentes, fechando o ciclo da emigração para o Brasil. O Teatro-Cinema foi testemunha de acontecimentos sociais e políticos significativos e da actuação das mais importantes figuras do teatro da época.

Foi adquirido pela Câmara Municipal em 2002.

Miguel Monteiro